quinta-feira, 21 de outubro de 2010

EXPOSIÇÃO "APARATO DE EXCLUSÃO"


Aparato de Exclusão


A presente exposição é composta de fotografias do muro erguido a partir deste ano ao redor do campus do vale, assim, busca-se através da linguagem fotográfica levantar uma questão pertinente a todos os que usufruem do campus. O muro separa terrenos contíguos, que em verdade são contínuos, ou pelo menos deveriam ser. Universidade e comunidade deveriam constituir-se de um só continuum, pois indissociável a uma ação interna acadêmica está uma externa não acadêmica, a qual deve começar pelos arredores físicos da própria universidade. Abrir as portas da universidade à comunidade durante um dia no ano não diz nada sobre coisa alguma acerca de uma real restituição do saber que se cultiva do lado de dentro do muro, e a desejada queda do muro invisível que separa uma ação interna de uma externa, certamente não se faz através da construção de um muro físico que por si só se constitui, como demonstram as fotografias, em um aparato de exclusão, utilizado para invisibilizar uma visível relação entre Vale e Vila. Utiliza-se a questão da violência hoje como justificativa para o cercamento dos campi, mas é sabido que tal ato vai contra o ideal moderno de cidade e, principalmente, cidadão, a partir do momento em que o campus enquanto espaço público deixa de ser o espaço de convívio, devido o isolamento, e passa a ser um espaço de não-convívio. Ora, a construção de um muro ao redor do campus visa um não-convívio entre Vale e Vila, e coloca assim a cidadania como privilégio de quem está do lado de dentro do muro. Curioso é que em outubro de 2009 o jornal da UFRGS trouxe uma matéria a respeito dos condomínios horizontais que se proliferam pela cidade, chamados na ocasião de “feudos modernos”; contudo, a universidade incorpora em seu projeto de desenvolvimento esta mesma “solução” urbana, e com isso gera um forte impacto de segregação sócio-espacial ao fazer do próprio campus do vale o mais novo feudo: feudo do saber. E nesse processo de fechamento coloca-se em questão, sobretudo, o quão público é o acesso à universidade dita pública.

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