quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uma reflexão foucaultiana do aumento de controle na Casa de Estudante da UFRGS


Os moradores da Casa de Estudante Universitário (CEU) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) passam atualmente por um momento histórico de mudança no que diz respeito ao termo Moradia Estudantil. Institucionalmente, a UFRGS através da Secretaria de Assuntos Estudantis (SAE), mantém o Departamento de Moradia Estudantil (DME) como o responsável pelo funcionamento da CEU, ou seja, o DME funciona como se fosse a “direção” da CEU. Falo aqui como morador que sou dessa que se diz uma “casa” de estudante, e apenas se diz uma casa, porque há todo um aparato estatal que visa, em termos de identidade, a substituição da ideia de “casa” por “repartição”. Pode-se dizer que desde sempre o DME interferiu no funcionamento da casa, a começar pelo processo de seleção, que é realizado por ele e sem participação nenhuma dos moradores. No entanto, a título de análise, podemos tomar a reforma realizada na casa em 2010 como um estopim para o aumento de controle sobre a vida dos moradores; a reforma realizada na casa, além de ter sido uma reforma meramente estética, visto que a infra-estrutura da casa ficou praticamente inalterada, serviu de retórica democrática perfeita da instituição para mascarar um efeito maior do poder disciplinar, na medida em que se justificava como uma necessidade objetiva.