domingo, 7 de novembro de 2010

Descanso - Um experimento fotosociológico.

As imagens abaixo compõem um experimento fotosociológico realizado em uma construção civil. A oposição entre a cadeira e a escada é a própria tradução em imagem de uma constante tensão à qual estão submetidos os trabalhadores, uma tensão entre querer parar e ter que continuar. Assim, no ambiente em questão o descanso torna-se algo reservado, esperado, e, sobretudo, privilegiado. Pode-se perceber nas imagens que a cadeira se constitui em um elemento invariante, o qual dá nome ao experimento. Sempre vazia e esquecida, ela observa silenciosamente os trabalhadores em seu dia-a-dia, e espera pelo sagrado momento em que, finalmente, será utilizada: a pausa para o almoço.







Parar





Opostos



Diálogo Cotidiano



À espera

2 comentários:

  1. demorei a olhar porque sabia que viria algo que exigiria prazerosamente minha contemplação compreensiva, tentando conectar o que o leva agora também a buscar outras formas de reflexão, lindo!
    experimentar e extravasar esse estar no mundo que sempre nos afeta, de diversos modo!
    Sobre o ensaio. Incrivel como a cidade sempre conversa conosco, seus sinais, os individuos negociando com a realidade e a partir disto criando e reinventando sempre estratégias de sobrevivÊncia.
    No ínício, a construção, a roda que precisamos fazer girar, depois a criatividade expressa no sentar no artefato para o trabalho, enquanto observam o lá fora, eles estão ali dentro, mas conversam no telefone com os lá de fora, depois a profundidade da construção, os elementos que ganham vida com a utilização que os trabalhadores fazem dele para o seu labor. E, criando um sentido para o existir daqueles seres que ali devem estar compartilhando muito mais que apenas o ambiente em que se encontram, para cada qual executar sua função...

    Bacanissimo, prossiga sempre!

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  2. A vida necessita de uma eterna contemplação sensitiva. E não se sente apenas por palavras, a imagem traduz em um instante eterno o que muitas vezes não se consegue com inúmeras páginas. Não estou deserecendo a palavra, até porque, no momento, utilizo-a muito mais que a imagem. Na ideia de Bataille de que "todas as coisas copulam entre si", acredito sobretudo na imbricação das formas de linguagem. Basta experimentar.

    Sobre o ensaio. Certamente há o compartilhamento de mais que apenas o ambiente em que se encontram, visto que enquanto ambiente ele se constitui num espaço de possibilidades. Nesse sentido, pode-se pensar que o que está em jogo é, digamos, o grau de possibilidades (no seu sentido mais amplo) dos seres nesse espaço. A meu ver, além das tarefas a se executar, são poucas as possibilidades que se apresentam, as quais acumulam-se num curto espaço de tempo intermediário ao dia, que é o horário de almoço. Momento em que a cadeira se sobressai, não porque a cadeira nesse momento consiga sobrepor-se a escada, e sim porque a escada deixa a cadeira sobrepor-se a ela momentaneamente.

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